sexta-feira, 18 de maio de 2007

Quem tem medo da democracia?

Na sondagem publicada hoje pelo DN e a TSF (http://dn.sapo.pt/2007/05/18/cidades/antonio_costa_a_frente_maioria.html), a soma das intenções de voto dos dois candidatos independentes (Carmona e Roseta, sendo que o primeiro anunciou ontem que não avançaria) é bem superior à soma das intenções de voto nos candidatos do PS e do PSD.

Percebe-se claramente o medo que levou estes partidos a tentarem ganhar as eleições na secretaria.

Se Roseta reunir as assinaturas – objectivo que está cada vez mais próximo de ser alcançado – o medo dos partidos será substituído pelo pânico.

É que a maioria dos votos que estavam destinados a Carmona dificilmente irá para Negrão ou Costa.

A candidatura de Nobre Guedes, por sua vez, contribuirá para o afundamento definitivo do PSD nestas eleições.

Apresentando-se ontem num púlpito com a palavra “Rigor” inscrita, Costa pediu a maioria absoluta e culpou Roseta, o PC e o BE por não haver coligação à esquerda.

A obsessão com a maioria absoluta é uma velha doença, que talvez só possa ser curada com sessões intensas de psicanálise democrática (cujo objectivo seria substituir a arrogância, o aparelhismo e o tacticismo pela humildade, abertura de espírito, e a fidelidade a causas e convicções).

Lisboa dispensa um poder absoluto. Lisboa vive uma situação de emergência e exige o contributo responsável de todos.

Costa partiu mal para estas eleições. Demonstrou desde logo uma grave falta de rigor ético e de cultura democrática ao mancomunar-se com o PSD para tentar ditar o resultado destas eleições através de uma decisão ilegal e imoral da governadora civil.

Ao pedir a maioria absoluta, corre o risco de cair no ridículo.

A dinâmica de subida está do lado de Roseta, não de Costa.

E se Roseta ganhasse estas eleições?